Os bancos do Central Park

Alguém ainda lembra que eu fiquei devendo alguns posts de Nova York? Pois é. Hoje é feriado aqui em Recife e eu separei o dia para colocar a vida em dia. Sabe como é? Você acorda cedo e separa cada momentinho para se dedicar a algumas coisas que estão precisando de atenção. O Tempo de Pipa é uma delas. Por isso, fui catar no meu caderninho de viagem os posts que ainda estavam faltando e só tem mais dois ou três. Mas acho que é bom espaçar os posts assim, né? Assim ninguém fica enjoado da viagem e eu tenho uma desculpa para ficar relembrando mais uma vez esses dias lindos de férias e dessa cidade incrível.




O Central Park não precisa de apresentações, não é? Um parque gigante no meio da cidade, serve de guia de localização (para que lado está o central park? a gente está de que lado do central park?) e é um verdadeiro oásis no meio dos arranha-céus, trânsito e correria. Fomos por lá duas vezes, mas não conseguimos fazer o piquenique que eu tanto queria e nem ver todos os pontos de interesse.


Entramos pelo lado West, na 72th exatamente onde fica o Dakota, prédio onde John Lennon foi assassinado. Não sou muito chegada em ficar visitando cemitérios e memoriais quando eu viajo, mas essa entrada é bem pertinho do Museu de História Natural, de onde a gente tinha acabado de sair, então, era mais prático. Sem falar que eu queria passar pelo Strawberry Fields, monumento construído em homenagem ao cantor. Apesar de parecer meio brega e ser meio pega turista, sempre tem alguém cantando "Imagine" no violão e termina que dá uma emocionadinha de leve.


Vimos vários lugares super famosos, como o restaurante no rio, o aluguel de barquinhos e a fonte onde se passa várias séries e filmes. Tomamos picolé, tiramos um milhão de fotos e passamos boa parte da tarde por lá. O parque é lindo, ver os casais de namorados na grama, os engravatados almoçando nos bancos, as crianças brincando, é tudo muito legal. E é um bom descanso no meio de tanto bate perna.



Mas o que mais me chamou atenção no parque foram os bancos. Eu já tinha visto algo parecido quando fui numa bairro da Flórida, as pessoas escreverem no banco uma mensagem para alguém. Mas como parece que tudo em Nova York é melhor, olha só as mensagens desses bancos:

"Esse lugar é para sonhadores.
Stephen Heighton.
Ele foi amado e amado e amado e amado."
 "Em homenagem a Howard Sohn,
que amou a vida, Nova York e acima de tudo
a sua esposa Linda e suas filhas Mônica e Stephanie."
"Em memória amorosa
de Tyler Stading-Younger, 
um perfeito Golden Retriever que
nos lembrou que qualidade de vida
é mais importante que quantidade.
09.12.2003 - 18.06.2012"
"..e um dia ela vai dizer sim."
"Viveu verdadeiro com o mundo, com o trabalho e com os amigos.
Marvin "Mickey" Meltzer (1927-2003)
Alma de integridade e coração de família.
Nós vamos sentir sua falta, amigo"
"Imagine.
Família Lowry
Fort Lauderdale, Florida"
"Neste banco V.L. um dia vai pedir H.R.H. em casamento"
"Escute a música da vida, uma dança chamada "you".
Maravilhe-se nas suas aventuras, cresça feliz e generoso no seu jardim.
Para Robert Thomas Wagner 1942 - 2001"

Lindo, né? O projeto Adopt-a-bench foi criado para ajudar a preservar o parque. As pessoas pagam uma quantia, que pode variar entre US$2500 a US$7500 e podem escrever uma mensagem nessas plaquinhas de metal. Não dá pra não ficar pensando o quanto esse lugar é importante pra tanta gente, né? É emocionante passar por cada um dos bancos, ler a mensagem e imaginar a história de quem deixou. É uma forma de misturar a sua história com a da cidade, é uma forma singela de mais do que deixar sua marca, mas ocupar o seu espacinho. E em tempos de discussão sobre a quem pertence a cidade, é um ótimo exemplo de projeto que ocupa a cidade e através disso, consegue recursos para mantê-la viva e funcionando para todos.

Que sirva de exemplo pra gente e também, de dica para quem tem a sorte grande de visitar esse lugar incrível.


E eu





E eu, acostumada com o mundo das palavras e certezas, me pego flutuando noutro que nem diz nem cala. 
E eu, sempre tão decidida sobre o que eu não quero, me pego tentando convencer a mim mesma que posso querer isso também. 
E eu, que sempre peço calma, me pego aprendendo a lidar com o passar do tempo: lento, leve, solto. 
E eu, você sabe, amante do amor, do toque diário, da mutualidade, me vejo traíra, seca, só. 
E eu, que sempre leio a todos, entendo a todos, quero a todos, me percebo analfabeta, extraterrestre, querendo um único desenho desse mundo ilustrado. 
E eu, seguidora do coração, me pego tentando andar pelo caminho que teus olhos, todos eles, me levam. 

E eu, sempre tão eu, me pego querendo ser mais você, que não sabe nem quem eu sou.


Design de Baunilha

Eu não resisto a um caderninho. Talvez seja a minha mania de fazer planos e check-lists ou seja só esse amor que eu tenho por coisas escritas, mas a verdade é que eu tenho mil e um cadernos em casa. De todos os tamanhos, artesanais, industriais, com linhas, sem, de todos os tipos. Quando eu morava em Buenos Aires, um dos meus cantinhos preferidos da cidade era a Papelaria Palermo, que reúne a maior quantidade de lindezas ~papeleiras~ por metro quadrado.


Foto (daqui)

Sempre passava lá com a desculpa de comprar "um caderno para as aulas" e saía com no mínimo, dois. Trouxe todos comigo, até os que eu usei até terminar. De vez em quando, abro minha gaveta e fico lendo as coisas que eu escrevia naquela época. Ler coisas passadas é sempre um encontro comigo mesma e que eu adoro fazer.

E se caderno é mesmo um vício, eu encontrei um novo traficante: a Design de Baunilha




Conheci a marca através de um post de Dani Arrais e me apaixonei. Adicionei o blog ao meu feed e fiquei acompanhando as novidades. Um dia, fui mostrar pra minha chefe e tchamram, ela conhecia a responsável por esse trabalho tão lindo e cuidadoso. Silvia é designer de formação e como dá pra ver através das suas peças, dona de um zelo e de um carinho muito grande pelo que faz.



E é também uma das poucas pessoas dessa internet de meu deus que transformou o "receba nossa newsletter" em uma coisa super fofa. Podem assinar lá que eu garanto. Toda semana tem a "Terça de Baunilha", onde ela manda uma coisa linda pro email da gente, sempre com um textinho inspirador. O da semana passada foi assim, demais: um cartão de agradecimento, esse sentimento tão importante que tantas vezes, a gente esquece por aí. Daí é só imprimir, montar e pronto, agradecer. 


Não é uma coisa linda?
Eu disse.

A Silvia também começou a dar uns workshops de encadernação por aí. Já teve em Recife e vai ter em breve em São Paulo. Quem se interessou, pode encontrar mais informações no site. Eu já tenho um caderninho da Design de Baunilha pra chamar de meu (já disse que a minha chefe é incrível? pois, é, cheguei numa segunda-feira dessas e tinha um em cima da minha mesa) e se você ficou com inveja e quer um também, é só acessar a lojinha on-line. Eles enviam pra todo o Brasil.



Por um mundo com mais trabalhos manuais e carinhosos como o da Silvia pra gente.




Saudade é uma coisa poderosa

Nós duas somos péssimas quando se trata de promessas de posts. Ano passado, fomos para Porto Alegre e dissemos que iam rolar vários posts com dicas da cidade. Resultado: ficamos com preguiça e nunca mais falamos nada. Eu, especificamente, sou a pior quando se trata de editar vídeos. Toda viagem, eu levo três câmeras, filmo tudo, crio expectativas lindas nos meus companheiros de viagem e demoro meses, muitos meses, para editar o vídeo e deixar ele prontinho.

Mas ontem, uma chuva danada em Recife, uma saudade grande desses dias tão bons que a gente passou por lá e uma saudade maior ainda de Lila. Nossos amigos brincam que eu só tenho saudade dela, mas não é isso. É uma questão de rotina. Era eu e ela ali, todo dia no almoço ou no jantar e às vezes nos dois. Era "ai que vontade de comer um docinho", "vou dormir aí hoje", "vamo ali rapidinho?" Por mais que três horinhas de avião seja coisa besta e a gente se fale todo dia, muitas vezes pelo dia inteiro, eu ainda tenho saudade dos três minutos e meio que eu gastava pra chegar na casa dela. 

Então, como a gente bem sabe, saudade é sim uma coisa poderosa. Tanto que eu finalmente abri o HD, peguei os vídeos de Porto Alegre e editei todinho com uma das nossas músicas preferidas. Mas vou dizer: só deu pra ficar com mais saudade ainda.

Brigada de novo, Fê, pela recepção tão querida e carinhosa.
E brigada Liloca, por essa viagem tão linda.
Espero que venham outras e mais outras. Sempre.




Porto Alegre - 2013 from Nathalia Cunha on Vimeo.

Cozinha é terapia.

Gastronomia e fotografia são duas paixões que a Eva do Adventures in Cooking reúne muito bem nesse blog, que eu descobri há menos de uma semana e já está confortável e quentinho na minha lista de top cinco favoritos. Ela mora em Los Angeles, é fotógrafa profissional e sonha em ter uma vaca e morar numa fazenda. Eu, por enquanto, ainda estou agradecendo pelo fato de ter minha mini cozinha e uma mini varanda com espaço suficiente para uma hortinha de manjericão, mas quem sabe um dia gente chega lá, né? O blog é incrível, as receitas são bem legais, mas olha, as fotos realmente são um caso a parte. Eva é food styling e dá workshops tanto disso, quanto de fotografia. Tô meio obcecada com a minha amiga imaginária virtual, mas vendo essas fotos e lendo o blog, vai dar pra entender o por quê. 

Comida é uma coisa que me inspira muito e ver essas fotos só me dá vontade de ir direto pra cozinha e fazer um almoço daqueles com todas as etapas, sabe? Desses que a gente abre uma cerveja, vai aproveitando cada etapa, depois come bem devagar, ouvindo uma musiquinha boa. Ê programa gostoso de fazer, viu? E como hoje é quinta-feira fica aqui a dica: vai pra cozinha esse final de semana. Se as receitas da Eva forem muito nível intermediário, passa lá no Pitadinha que com certeza você vai encontrar alguma super fácil e deliciosa porque Dona Ju não brinca em serviço.

Cozinhe pra sua mãe, pro namorado, pros amigos, mas cozinhe. 

Além de terapêutico, cozinhar é um dos atos de amor mais simples e lindos que existem.











Entreletras: Disritmia


Perdi as contas de quantas vezes eu já neguei que eu quero me esconder debaixo dessa sua saia. Do que adianta? Eu nego e não consigo convencer nem mesmo a mim. Eu quero passar pra te buscar e fugir do mundo. Eu quero parar o universo pra subir no vigésimo primeiro andar do seu prédio e te dizer no pé do ouvido que eu pretendo sim me embrenhar não só no emaranhado desses seus cabelos, mas em todos os lugares que você deixar. Não porque eu mereço, mas porque eu preciso. 

Queria transfundir seu sangue pro meu coração. Ele é tão vagabundo, eu sei, mas me deixa te trazer pra dentro de mim? Te quero com um dengo que tu nem imagina. Me deixa cuidar de você e num cafuné fazer os meus apelos? Eu sei que já tô pedindo demais, mas também quero ser exorcizado pela água benta desse olhar que, pra mim, é infindo e misterioso. Os meus querem te dar bom dia e te mostrar que bom que é ser fotografado sem filtro, mas com verdade, pelas retinas desses seus olhos verdes e lindos. Não porque eu mereço, mas porque eu preciso. 

Não te querer é tão difícil quanto contornar o vento, Malu. Então me deixa querer. Me percebo hipnotizado e preciso acabar de uma vez por todas com essa disritmia porque, já dizia minha querida avó, com o coração é preciso ter muito cuidado. Principalmente com aqueles que batem no ritmo de um samba de amor.


P.s: Vem logo pra mim. Vem curar teu nego que chegou de porre lá da boêmia. Admito: tomei pinga com cerveja. Mas não se preocupe, bebi muita água depois. Não porque eu mereço, mas porque eu preciso. 



*Entreletras é uma coleção de textos criados a partir de letras de músicas. São histórias, reais e/ou imaginárias, que, às vezes, não cabem nos tradicionais três minutos e meio.

Como o Eataly virou um dos meus lugares preferidos de NY

O clichê do planejamento da viagem funciona muito pra mim. Eu realmente acho a fase de planejar quase tão legal quanto viajar de fato. Pesquisar mil e um sites, blogs, comprar um caderninho só pra anotar as dicas, perguntar aos amigos, fazer roteiro, eu sou bem maníaca nesse aspecto. Outra coisa pela qual eu sou louca é por comida. 50% do meu planejamento sempre gira em torno de comida e eu não tenho vergonha alguma de dizer isso.

Das mil e uma coisas maravilhosas gastronômicas imperdíveis de Nova York (não, não tô exagerando, são mil e uma coisas MESMO), uma delas aparecia sempre no Top 5: o Eataly. Um mercado italiano especializado, com vários restaurantes, utensílios de cozinha, produtos etc. No primeiro dia, esbarrei com o Eataly sem querer porque vi uma placa "Gelatto". Fazia um leve calor pela primeira vez em quatro dias e eu pensei: é hoje que eu vou tomar sorvete. O balcão de Gelatto era bem na entrada. Aí vi uma placa Eataly mas olhei pra dentro assim e não vi nada gigante. Era tipo uma loja normal. Óbvio que eu estava distraída com o sorvete #gordinha e pensei que talvez aquele fosse um anexo, sei lá. Comprei meu sorvete e saí pra continuar o passeio.

Corta para alguns dias depois, a gente voltando de algum bairro, fui olhar o mapinha e tinha lá: Eataly. Achei estranho porque DÃ era no mesmo lugar que eu tinha tomado o sorvete, mas né, decidimos jantar lá porque a viagem já estava quase no fim e nós não íamos mais voltar por ali. Quando a gente chegou, passamos pelo balcão do sorvete e continuamos andando. E foi aí que minha cabeça explodiu. O Eataly era ali sim e era muito maior que até eu e minhas expectativas tinham imaginado. Sabe um lugar onde tem tudo? Sério, tem tudo. O corner de queijo era maior que o meu quarto. Mascarpone (a.k.a o melhor queijo do meu mundo) a dar com o pau. Áreas individuais para cada tipo de coisa: café, massas, molhos, fermentos, azeites, vinhos, cervejas, meu deus, sério, é uma loucura. Fiquei tipo criança em parque de diversões. Só que muito pior porque não tinha pai ou mãe pra me controlar.

Lá nenhum restaurante é fechado, é tudo meio aberto assim, mas cada um no seu canto. Tem a cafeteira, o gelatto, a doceria, um de sanduíches (com pernis e bacons assados por 7632423 horas em um forno maravilhoso), um de tapas, um mais chique onde o prato mais barato custava U$39 e uma pizzaria, que oferece também vários tipos de massas e onde nós jantamos. Ah, eles têm mini padarias também, mas cada uma especializada em um tipo de coisa. Por exemplo: lá tem uma Focacciaria. Se isso não é ser específico, eu não sei o que é.

Sentamos no balcão, eu pedi uma taça de vinho e fiquei chorando de emoção com o pão caseiro que eles dão de entrada. Sim, assim como em outros restaurantes, lá eles te dão água e pão de graça, o que pra mim significa amor, já que quem ama, alimenta #filosofiasdevida. Eu pedi uma lasanha à bolonhesa e meu irmão uma massa ao pomodoro. Pode parecer simples, mas não era. Até hoje fico tentando identificar o que tem naquele molho que deixa ele tão diferente. Deve ser feito por unicórnios. Aliás, por unicórnios italianos. Não temos fotos dos pratos porque né, tava ocupada me emocionando com a comida.

Enquanto a gente esperava nossa mesa, eu larguei meu irmão num canto e tirei um milhão de fotos. Acho que foi o lugar da viagem inteira que eu tirei mais fotos. Sim, me julguem, mas é demais. Sério, o Eataly é demais pro meu coração. Foi uma das cinco coisas mais legais que eu vi em Nova York e também, uma das que mais me fazem querer voltar logo.