Câmbio #1: Altos Voos e Quedas Livres + Aos 7 e aos 40


                         


Nath,

você é uma das pessoas que mais sabem sobre mim no mundo. Me conhece como bem pouquinhos e sabe que eu tenho medo de muita coisa, menos de ter medo. Vou e pulo e na queda eu vejo o que encontro. Quando você me conheceu, eu já me conhecia, acho que isso ajudou bastante.

Altos Voos e Quedas Livres foi um baita indicação. Um livro que fala sobre amor sempre será, na verdade. Mas aí tem os balões, a fotografia, a história e a magia de ver tudo isso conectado como partes de um corpo em um único livro. Foda. Com Julian Barnes lembrei que cada salto é um risco, que cada escolha é uma não-escolha e que o amor nos provoca um sentimento semelhante de fé e invencibilidade. E, ainda bem, é assim que eu me sinto. 

Se toda história de amor é potencialmente uma história de sofrimento, que eu sofra o tempo que eu viver, porque eu sei que dói exatamente o quanto vale e me sinto menos interessante sem as pessoas que eu amo por perto (não estamos falando de distância física, ok?).

Por último, te pergunto: você perderia um mundo por um olhar?

Você sabe a minha resposta.

Câmbio, desligo.

Lila.








Lila,

sempre via o livro do Carrascoza na livraria e deixava passar. Essas impressões da Cosac Naify, cê sabe, não combinam com o orçamento de quem precisa comprar fogão, geladeira, máquina de lavar, (continue aqui a lista). Mas era sempre tão bonito e eu não resistia em pegar e ler um tantinho. Quando trouxe ele (e um pouquinho de você) aí de São Paulo, não aguentei e já comecei no avião.

O nosso primeiro câmbio não foi mesmo à toa, viu? "Dos 7 aos 40" é, antes de tudo, um livro de fora pra dentro. É sobre auto-conhecimento, essa palavra que a gente tanto usa, esse exercício que a gente tanto pratica. É a trajetória de um homem que percebe que não há como se conhecer, se entender e descobrir qual o propósito disso tudo sem olhar pra trás. Sem (re)conhecer o primeiro amor, a primeira briga, os primeiros amigos, o primeiro objetivo alcançado. Olhar pra dentro é olhar pra trás, João ensina a gente.

É preciso revisitar o passado com a frequência com que se planeja o futuro. Na verdade, eu iria além: é preciso revisitar o passado para planejar o futuro. Ou até mesmo, para entender o presente. Nem sempre temos a consciência do "nós". Chamo atenção para essa palavra: consciência. As pessoas tendem sempre a se referir a ela como um terceiro eu, é a consicência que mandou, que pesa, que dói. Não é dessa consciência que falo. É de estar consciente de quem é você nesse mundo, do porquê das suas escolhas, das suas atitudes. 

A vida é transitória. O que acontece nela não.

E infelizmente (ou felizmente) a vida não volta, a fita não rebobina. 

Mas um bom livro, ainda bem, a gente sempre pode ler mais uma vez.


Câmbio, desligo.

Nath.



*Câmbio é a troca de duas das coisas que a gente mais ama na vida: livros e cartas.

Rubel Brisolla e o Pearl



Se eu encontrasse Rubel Brisolla na rua diria a ele: menino do Rio, você me provoca arrepio. Piadinhas infames à parte, me refiro ao músico, cantor e compositor do disco Pearl. O rapaz de vinte e poucos anos tem um cenário e umas influências maravilhosas que fizeram dessas sete músicas, verdadeiras poesias. Ele explica sobre uma mistura entre o violão carioca e o banjo texano e isso é bem fácil de entender. O descompromisso tranquilo é delicioso de ouvir e o romantismo (que eu não gosto pouco, só presta muito) vibra pelas notas e pela voz de Rubel. É uma música sincera, uma lindeza sem fim. 

Escuta e, se puder, voa. 





Os bancos do Central Park

Alguém ainda lembra que eu fiquei devendo alguns posts de Nova York? Pois é. Hoje é feriado aqui em Recife e eu separei o dia para colocar a vida em dia. Sabe como é? Você acorda cedo e separa cada momentinho para se dedicar a algumas coisas que estão precisando de atenção. O Tempo de Pipa é uma delas. Por isso, fui catar no meu caderninho de viagem os posts que ainda estavam faltando e só tem mais dois ou três. Mas acho que é bom espaçar os posts assim, né? Assim ninguém fica enjoado da viagem e eu tenho uma desculpa para ficar relembrando mais uma vez esses dias lindos de férias e dessa cidade incrível.




O Central Park não precisa de apresentações, não é? Um parque gigante no meio da cidade, serve de guia de localização (para que lado está o central park? a gente está de que lado do central park?) e é um verdadeiro oásis no meio dos arranha-céus, trânsito e correria. Fomos por lá duas vezes, mas não conseguimos fazer o piquenique que eu tanto queria e nem ver todos os pontos de interesse.


Entramos pelo lado West, na 72th exatamente onde fica o Dakota, prédio onde John Lennon foi assassinado. Não sou muito chegada em ficar visitando cemitérios e memoriais quando eu viajo, mas essa entrada é bem pertinho do Museu de História Natural, de onde a gente tinha acabado de sair, então, era mais prático. Sem falar que eu queria passar pelo Strawberry Fields, monumento construído em homenagem ao cantor. Apesar de parecer meio brega e ser meio pega turista, sempre tem alguém cantando "Imagine" no violão e termina que dá uma emocionadinha de leve.


Vimos vários lugares super famosos, como o restaurante no rio, o aluguel de barquinhos e a fonte onde se passa várias séries e filmes. Tomamos picolé, tiramos um milhão de fotos e passamos boa parte da tarde por lá. O parque é lindo, ver os casais de namorados na grama, os engravatados almoçando nos bancos, as crianças brincando, é tudo muito legal. E é um bom descanso no meio de tanto bate perna.



Mas o que mais me chamou atenção no parque foram os bancos. Eu já tinha visto algo parecido quando fui numa bairro da Flórida, as pessoas escreverem no banco uma mensagem para alguém. Mas como parece que tudo em Nova York é melhor, olha só as mensagens desses bancos:

"Esse lugar é para sonhadores.
Stephen Heighton.
Ele foi amado e amado e amado e amado."
 "Em homenagem a Howard Sohn,
que amou a vida, Nova York e acima de tudo
a sua esposa Linda e suas filhas Mônica e Stephanie."
"Em memória amorosa
de Tyler Stading-Younger, 
um perfeito Golden Retriever que
nos lembrou que qualidade de vida
é mais importante que quantidade.
09.12.2003 - 18.06.2012"
"..e um dia ela vai dizer sim."
"Viveu verdadeiro com o mundo, com o trabalho e com os amigos.
Marvin "Mickey" Meltzer (1927-2003)
Alma de integridade e coração de família.
Nós vamos sentir sua falta, amigo"
"Imagine.
Família Lowry
Fort Lauderdale, Florida"
"Neste banco V.L. um dia vai pedir H.R.H. em casamento"
"Escute a música da vida, uma dança chamada "you".
Maravilhe-se nas suas aventuras, cresça feliz e generoso no seu jardim.
Para Robert Thomas Wagner 1942 - 2001"

Lindo, né? O projeto Adopt-a-bench foi criado para ajudar a preservar o parque. As pessoas pagam uma quantia, que pode variar entre US$2500 a US$7500 e podem escrever uma mensagem nessas plaquinhas de metal. Não dá pra não ficar pensando o quanto esse lugar é importante pra tanta gente, né? É emocionante passar por cada um dos bancos, ler a mensagem e imaginar a história de quem deixou. É uma forma de misturar a sua história com a da cidade, é uma forma singela de mais do que deixar sua marca, mas ocupar o seu espacinho. E em tempos de discussão sobre a quem pertence a cidade, é um ótimo exemplo de projeto que ocupa a cidade e através disso, consegue recursos para mantê-la viva e funcionando para todos.

Que sirva de exemplo pra gente e também, de dica para quem tem a sorte grande de visitar esse lugar incrível.


E eu





E eu, acostumada com o mundo das palavras e certezas, me pego flutuando noutro que nem diz nem cala. 
E eu, sempre tão decidida sobre o que eu não quero, me pego tentando convencer a mim mesma que posso querer isso também. 
E eu, que sempre peço calma, me pego aprendendo a lidar com o passar do tempo: lento, leve, solto. 
E eu, você sabe, amante do amor, do toque diário, da mutualidade, me vejo traíra, seca, só. 
E eu, que sempre leio a todos, entendo a todos, quero a todos, me percebo analfabeta, extraterrestre, querendo um único desenho desse mundo ilustrado. 
E eu, seguidora do coração, me pego tentando andar pelo caminho que teus olhos, todos eles, me levam. 

E eu, sempre tão eu, me pego querendo ser mais você, que não sabe nem quem eu sou.


Design de Baunilha

Eu não resisto a um caderninho. Talvez seja a minha mania de fazer planos e check-lists ou seja só esse amor que eu tenho por coisas escritas, mas a verdade é que eu tenho mil e um cadernos em casa. De todos os tamanhos, artesanais, industriais, com linhas, sem, de todos os tipos. Quando eu morava em Buenos Aires, um dos meus cantinhos preferidos da cidade era a Papelaria Palermo, que reúne a maior quantidade de lindezas ~papeleiras~ por metro quadrado.


Foto (daqui)

Sempre passava lá com a desculpa de comprar "um caderno para as aulas" e saía com no mínimo, dois. Trouxe todos comigo, até os que eu usei até terminar. De vez em quando, abro minha gaveta e fico lendo as coisas que eu escrevia naquela época. Ler coisas passadas é sempre um encontro comigo mesma e que eu adoro fazer.

E se caderno é mesmo um vício, eu encontrei um novo traficante: a Design de Baunilha




Conheci a marca através de um post de Dani Arrais e me apaixonei. Adicionei o blog ao meu feed e fiquei acompanhando as novidades. Um dia, fui mostrar pra minha chefe e tchamram, ela conhecia a responsável por esse trabalho tão lindo e cuidadoso. Silvia é designer de formação e como dá pra ver através das suas peças, dona de um zelo e de um carinho muito grande pelo que faz.



E é também uma das poucas pessoas dessa internet de meu deus que transformou o "receba nossa newsletter" em uma coisa super fofa. Podem assinar lá que eu garanto. Toda semana tem a "Terça de Baunilha", onde ela manda uma coisa linda pro email da gente, sempre com um textinho inspirador. O da semana passada foi assim, demais: um cartão de agradecimento, esse sentimento tão importante que tantas vezes, a gente esquece por aí. Daí é só imprimir, montar e pronto, agradecer. 


Não é uma coisa linda?
Eu disse.

A Silvia também começou a dar uns workshops de encadernação por aí. Já teve em Recife e vai ter em breve em São Paulo. Quem se interessou, pode encontrar mais informações no site. Eu já tenho um caderninho da Design de Baunilha pra chamar de meu (já disse que a minha chefe é incrível? pois, é, cheguei numa segunda-feira dessas e tinha um em cima da minha mesa) e se você ficou com inveja e quer um também, é só acessar a lojinha on-line. Eles enviam pra todo o Brasil.



Por um mundo com mais trabalhos manuais e carinhosos como o da Silvia pra gente.




Saudade é uma coisa poderosa

Nós duas somos péssimas quando se trata de promessas de posts. Ano passado, fomos para Porto Alegre e dissemos que iam rolar vários posts com dicas da cidade. Resultado: ficamos com preguiça e nunca mais falamos nada. Eu, especificamente, sou a pior quando se trata de editar vídeos. Toda viagem, eu levo três câmeras, filmo tudo, crio expectativas lindas nos meus companheiros de viagem e demoro meses, muitos meses, para editar o vídeo e deixar ele prontinho.

Mas ontem, uma chuva danada em Recife, uma saudade grande desses dias tão bons que a gente passou por lá e uma saudade maior ainda de Lila. Nossos amigos brincam que eu só tenho saudade dela, mas não é isso. É uma questão de rotina. Era eu e ela ali, todo dia no almoço ou no jantar e às vezes nos dois. Era "ai que vontade de comer um docinho", "vou dormir aí hoje", "vamo ali rapidinho?" Por mais que três horinhas de avião seja coisa besta e a gente se fale todo dia, muitas vezes pelo dia inteiro, eu ainda tenho saudade dos três minutos e meio que eu gastava pra chegar na casa dela. 

Então, como a gente bem sabe, saudade é sim uma coisa poderosa. Tanto que eu finalmente abri o HD, peguei os vídeos de Porto Alegre e editei todinho com uma das nossas músicas preferidas. Mas vou dizer: só deu pra ficar com mais saudade ainda.

Brigada de novo, Fê, pela recepção tão querida e carinhosa.
E brigada Liloca, por essa viagem tão linda.
Espero que venham outras e mais outras. Sempre.




Porto Alegre - 2013 from Nathalia Cunha on Vimeo.

Cozinha é terapia.

Gastronomia e fotografia são duas paixões que a Eva do Adventures in Cooking reúne muito bem nesse blog, que eu descobri há menos de uma semana e já está confortável e quentinho na minha lista de top cinco favoritos. Ela mora em Los Angeles, é fotógrafa profissional e sonha em ter uma vaca e morar numa fazenda. Eu, por enquanto, ainda estou agradecendo pelo fato de ter minha mini cozinha e uma mini varanda com espaço suficiente para uma hortinha de manjericão, mas quem sabe um dia gente chega lá, né? O blog é incrível, as receitas são bem legais, mas olha, as fotos realmente são um caso a parte. Eva é food styling e dá workshops tanto disso, quanto de fotografia. Tô meio obcecada com a minha amiga imaginária virtual, mas vendo essas fotos e lendo o blog, vai dar pra entender o por quê. 

Comida é uma coisa que me inspira muito e ver essas fotos só me dá vontade de ir direto pra cozinha e fazer um almoço daqueles com todas as etapas, sabe? Desses que a gente abre uma cerveja, vai aproveitando cada etapa, depois come bem devagar, ouvindo uma musiquinha boa. Ê programa gostoso de fazer, viu? E como hoje é quinta-feira fica aqui a dica: vai pra cozinha esse final de semana. Se as receitas da Eva forem muito nível intermediário, passa lá no Pitadinha que com certeza você vai encontrar alguma super fácil e deliciosa porque Dona Ju não brinca em serviço.

Cozinhe pra sua mãe, pro namorado, pros amigos, mas cozinhe. 

Além de terapêutico, cozinhar é um dos atos de amor mais simples e lindos que existem.