Entreletras: Só sei dançar com você



Você, meio tímido, meio sem graça, me chamou pra dançar naquele dia
 na festa da firma. Mas eu nunca sei rodar
, te respondi quase sem respirar. Você, meio teimoso, meio sem graça, insistiu e a cada vez que eu girava, ficava mais tonta e parecia que a minha perna sucumbia de tanta agonia. E a cada passo torto que eu dava nessa, ou melhor, naquela dança, ia perdendo a esperança de não me apaixonar por você, logo por você que sacou de cara, desde do primeiro encontro no banheiro na volta do almoço, a minha esquizofrenia e maneirou o que pôde na condução. Eu lembro que toda maldita vez que eu errava, você dizia baixinho no pé do meu ouvido esquerdo pra eu me soltar porque você me conduzia na dança e, se assim eu quisesse, na vida. Mesmo sem jeito, eu fui topando aos poucos essa parada
 de ser amada e no final, ufa, achei incrível. Mas, admito, nem um pouco tranquilo. E hoje, meu bem, eu só sei dançar com você e aprendi que isso é o que o amor faz com a gente. 

O amor faz a gente dançar no ritmo do coração de um outro alguém. 




*Entreletras é uma coleção de textos criados a partir de letras de músicas. São histórias, reais ou imaginárias, que, às vezes, não cabem nos tradicionais três minutos e meio.


Asas e raízes

Sempre me perguntam por que o blog se chama Tempo de Pipa. Aí eu lembro da lista de nomes que a gente fez, da tentativa incansável de achar algum que transmitisse o que a gente sente sobre isso e sobre tudo. Sim, é o nome de uma música que a gente adora que fala de uma parceria que se dispõe a se reinventar quando der na telha. Isso é a gente, esse é um dos motivos e só ele já sustenta a nossa escolha. 

Acontece que a gente tem algumas outras conexões com esse brinquedo de papel que vira e mexe está pelos céus. É lindo o colorido, é boa a sensação de ver uma pipa ganhar o mundo, voar alto e, ainda assim, não deixar o lugar de onde veio. Ela tem asas sem deixar de ter raízes. Contrariando tudo e todos, a pipa está em dois lugares ao mesmo tempo. Ela pode, e deve, estar em Recife e em São Paulo ao mesmo tempo. 

Há exatamente um mês eu me empinei pros lados de cá e precisei desses dias pra me estabilizar, já que os ventos por aqui são mais frios e agitados, mas agora a brisa é leve e é só manter o ritmo do vôo. Não temos mais almoços diários, mas agora temos fotos de bom dia e bem mais eu te amo. Não temos mais passa-aqui-em-casa-depois-do-trabalho, mas são bem mais as novidades e as variedades de assuntos, de pontos de vista, de lugares pra ir. Agora a gente divide as coisas de um jeito diferente e esse jeito chegou nos multiplicando. 

Faz um tempo, eu aprendi que pra certas coisas não existe limite geográfico. E mesmo que existisse, as pipas ultrapassariam qualquer um.





Criada como um meio de comunicação militar, a pipa é uma tradição linda em várias culturas diferentes. Na Índia, por exemplo, existe um festival que acontece num dia especial do calendário hindu, quando mudam as estações, e voar com o brinquedo traz boa sorte. É o jeito deles de enviarem seus desejos pros céus. 

E o meu é que ela apenas continue voando.

(via Hypeness)

Um sábado amarelo

Se tem uma receita que sempre dá certo é juntar um monte de gente legal com o mesmo objetivo. A Casa Amarela foi uma dessas coisas que mesmo antes de nascer, a gente já sabia que ia ser massa. Um espaço de co-working que abriga empresas de comunicação, fotografia, tecnologia, um café cheio de comidinhas delícias e uma loja colaborativa, onde várias marcas incríveis se reuniram pra dividir nichos e araras e tornar a vida da gente muito mais fácil. É receita de sucesso ou não é?

No sábado dia 12, foi a inauguração oficial da Casa Amarela e também da Combi, a loja colaborativa comandada por Gabi Fiuza, maravilhosinha dona da Calma Monga e musa oficial de Caça Rato <3, e eu passei por lá pra dar um beijo em um monte de gente querida que colocou esse projeto tão lindo de pé. Foi um sábado cheio de amor, encontros, de cerveja gelada pra matar o calor e, claro, de ficar morrendo de vontade de levar um monte de coisa pra casa.

Vamos ver?




Dona Jardineira estava por lá. 




As bolsas lindas Calma Monga.




Firulinha e suas coisas lindas que vocês já conheceram aqui também estava por lá. (e eu aproveitei pra matar a modelo oficial de beijos. Desculpa, Lila.)


Mais um lugar pra encontrar as peças lindas da Trocando em Miúdos em Recife.


Várias roupas lindas de estilistas locais.


Os sapatos lindos e exclusivos de Bárbara Formiga.



E mais um monte de gente talentosa como Manoel Quitério, Simone Mendes, Heitor Pontes, Pó de Lua, Muma e muito mais. A Combi e a Casa Amarela agora estão oficialmente de portas abertas e só esperando sua visita. Se eu fosse vocês não deixava de ir não.

Combi Loja Colaborativa
Rua Professor Álvaro Lima, 47, Casa Amarela.
De segunda à sexta - 09h às 19h
Sábados - 10h às 16h
Instagram: @lojacombi
Facebook/lojacombi

Inspiração para o feriado

Não importa se você vai ficar em casa, viajar pra longe, pra perto ou passar só dois dias na praia. Se vai dormir, ficar acordado, ir pra todas as festas ou apenas se dar o direito de não tirar o pijama. Não importa o que você vai fazer nos próximos quatro dias, mas é feriado, né? Vai ser bom de todo jeito.

Vagando pelo Pinterest ontem, esbarrei em imagens tão lindas, mas tão lindas, que me fizeram querer dormir logo só pra poder acordar logo, ver a metade do expediente passar logo e abraçar o feriado. Sem esquecer de pedir por favor, pra ele demorar bem muito pra acabar. E eu ouvi dizer que se todo mundo pedir junto, talvez ele até faça uma concessão.

bom feriado pra vocês.









As fotos são daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e ufa, daqui.

Coragem e Coração.



- Tu vai casar, é? 
- Voou (sorriso besta aparece imediatamente no rosto)
- É, tem que ter muita coragem pra casar hoje em dia. 

Meu sorriso besta ficou um pouco amarelo e eu voltei a fazer o que eu tava fazendo na hora. Mas sabe quando uma conversa fica meio enganchada na sua cabeça? Fiquei pensando nela, repetindo pra mim mesma, tentando entender, até que eu parei em: mas não é preciso coragem pra tudo? 

Amar é um dos atos mais corajosos que a gente pode ter na vida. Deixar alguém entrar, conhecer suas qualidades, seus defeitos, suas neuroses (oi, nathalia) e mesmo assim ficar ali, do lado daquela pessoa dividindo tudo, abraçando ela e o que ela é de verdade. Quem acha que ficar vulnerável a alguém é sinônimo de fraqueza nunca se apaixonou na vida. Nunca deu seu coração, nunca abriu a porta e convidou a pessoa a não ir embora nunca mais.

Ir em busca do que você quer é outro ato corajoso. Acho que todo mundo concorda sobre a dificuldade que a gente tem de sair da nossa zona de conforto. De deixar sua casa, seu trabalho, sua família e aquele bar que você adora ir toda sexta-feira pra ir para outra cidade, outro país, outro lugar que ainda não é seu. É preciso mesmo muita coragem pra comprar uma passagem só de ida (oi, lila).

Realizar sonhos é outra coisa que pede muita coragem. Juntar dinheiro, abrir mão do que se quer ali, naquele momento, encontrar um foco e determinação que você nem sabia que existia só porque você tem certeza que lá no fundo, lá na frente da vida tem uma coisa que você quer. Na verdade, é preciso ter coragem pra escolher uma coisa só, traçar um plano, escolher um sonho dentre todos os outros que a gente tem.

E viver? Viver pede toda coragem que tem dentro da gente. Dentro e fora. Ou você vai dizer que nunca precisou pedir coragem a ninguém? É ela que mantém a gente vivo, que faz a gente levantar todo dia da cama pra correr, levar filho na escola, ver que tá atrasado para aquele trabalho que a gente não gosta. Ah, falando em trabalho, ele pede um bocado de coragem também, viu? Quando a gente ama e quando a gente odeia.

Coragem pra mim é a terceira coisa que a gente mais precisa na vida. Primeiro amor, depois saúde e por último coragem. Essa é a trinca da vida. É a chave para abrir todas as portas. E definitivamente, é o meu jeito de ser feliz. Então sim, é preciso muita coragem pra casar hoje em dia. E muito amor também. Ufa, duas coisas que não faltam por aqui.

Desejo um monte de coragem pra vocês.
Pra começar mais essa semana e pra tudo. Sempre.

Luna Clara & Apolo Onze



Não é porque eu li 7 vezes, uma vez por ano desde que ganhei de presente, que Luna Clara & Apolo Onze é o livro que eu mais gostei de ler nos meus quase 25 anos de vida. Não é porque é um livro infanto-juvenil que todo adulto deveria ler. Não é porque eu me identifico com Luna (temos a mesma idade e a mesma vontade de descobrir o mundo). Não é porque Adriana Falcão é uma das minhas escritoras favoritas e nem porque ela escreveu o livro para a filha fofa Clarice. Não é pela capa linda, pelas belas ilustras, pelo final feliz.

A maneira singular e autêntica de narrar a história poderia ser o motivo, mas não é. Quem sabe a organização criativa que tem, as expressões engraçadas, os elementos curiosos, os fantásticos nomes e descrições incríveis dos personagens, o que se desperta no leitor em cada palavra lida. Não, não é. A linguagem usada, a força e ritmo da escrita, constante mas surpreendente durante toda a narração. Não é pela integração de recursos visuais em um texto verbal de um jeito tão pertinente, íntimo, pertencedor (inventei essa palavra agora).

É simples sem ser, é fantasioso sem ser, é interativo sem ser. Não é por tornar o leitor presente na narração, com um contato um tanto quanto inovador, próximo, que envolve e causa uma sensação de reciprocidade, de conversa. Não é pelo universo e cenário tão bem construído, um mundo à parte, ou pelo tratamento dado a cada voz que participa do romance. Talvez seja por ser uma história de amor divertida e leve, vivida de várias formas, em várias estâncias. Não é por contar sobre os encontros e os desencontros que a vida tem. Não é pelo incentivo à descoberta de si, de ir atrás do que procura mesmo sem saber bem o que é o procurado. 

Não é por nada disso. É, na verdade, por isso tudo.

Já leu?


Sansa e o prazer de encontrar um lugar incrível

Das muitas coisas que a gente tá sempre querendo mudar e melhorar na nossa vida, uma que vem sendo prioridade é a minha relação com a comida. Independente de qualquer regime, balança ou compromisso social (alô, casamento), eu venho mesmo tentando descobrir novos sabores em alimentos que não são gostosos e pronto, mas nos que também são bons pra saúde. Se a gente vive buscando se rodear de gente do bem, por que não fazer a mesma coisa com comida? Então, não, não está sendo um sacrifício, não estou morrendo e nem estou deixando de às vezes, fazer uma gordice sem culpa. Eu só venho mais atenta e mais interessada nesse aspecto delicioso-social da minha vida.

Por isso, no último domingo eu aproveitei que fez um céu lindo e um tempo delícia em Recife pra conhecer um lugar que já estava na minha lista há muito tempo: o Sansa Sanduíches e Saladas. O lugar abriu há uns quatro meses lá no Recife Antigo, mais especificamente na futura avenida mais legal da cidade: a Rio Branco, que ganhou um projeto lindo da Prefeitura e vai ser totalmente fechada para o passeio de pedestres. O Sansa é todo lindo. Dos pôsters na parede até essa mesa coletiva com uma árvore de verdade no meio. Sim, mesa coletiva e árvores são duas coisas que fazem meu coração bater mais forte. Atenção para a frase que não saiu completa ali atrás e dizia: "Fast Good Food". Quem já não vê tanta graça em Mc Donald's como eu vai se identificar.




Lá o esquema é sem frescura. Vai no balcão, faz o pedido e espera sentadinho numa dessas mesas aconchegantes. Atenção que eles chamam pelo nome. Eu adoro. Parece besteira mas fica tão mais pessoal, né? Bom, aos pedidos. São dez opções de salada e vários sanduíches. Eu pedi a Salada de Frango, Tomate e Manjericão e posso dizer: melhor salada que eu já comi na minha vida. Não, eu juro que não é exagero. Eu nunca tinha comido a salada com o mesmo prazer que eu comeria um prato de bolonhesa, por exemplo. Esse farelo em cima é uma farofa funcional que vem castanha, amêndoas e outros "crocs crocs" maravilhosos. Ela faz toda a diferença do mundo no sabor final e ai, salivei. 


Rapha foi de Salada Apple, que vinha com Filet e maçãs caramelizadas que não estavam pra brincadeira. Em dez minutos não tinha mais nada no prato dele e como dá pra ver, você recebe uma CUBA DE SALADA. Eu sei que meu namorado não brinca em serviço, mas dessa vez ele deu os créditos à salada que também estava incrível. 


Depois que a gente terminou, eu fui olhar o Foursquare pra ver se tinha né, alguma sobremesa pra gente experimentar. E aí que em praticamente todas as dicas, apareciam duas palavrinhas mágicas: Citrus Crunch. Curiosa com a unanimidade, coisa quase impossível em qualquer rede social, eu fui lá no balcão saber o que era. No caminho, olho pra parede e vejo esse pôster. A descrição do danado toda linda foi só o que a gente precisava pra pedir um representante da classe.


Aqui entra a minha falta de capacidade para descrever essa sobremesa. Eu sei que parece que eu tô exagerando, mas eu não tô. Vocês não vão entender (a não ser que já tenham provado um) o que é esse danado. O azedinho do creme de limão, o docinho da calda, a crocância dessa farofa que com certeza deve ser feita de pedaços importados direto do paraíso e o sorvete de iogurte, ah o sorvete de iogurte. Tudo junto assim, fica, ai, nem consigo dizer.


Só queria dizer que não tenho nenhuma culpa se depois de você provar o Citrus Crunch você queira comê-lo todos os dias. Eu tô aqui agora, fazendo esse post e já pensando que logo, logo eu vou precisar de um Rehab, porque eu já tô morrendo de vontade de ir no Sansa de novo amanhã e amanhã e amanhã de novo. Ah, e apesar do meu cerébro ter bloqueado essa informação desde ontem, à título informativo ele acabou de me lembrar: eles fazem Delivery. É só ver lá na página do facebook deles como funciona (marquei lá em cima no primeiro parágrafo).

Donos do Sansa: brigada, brigada, brigada e parabéns.

P.S. Estamos planejando mais posts gastronômicos e culinários por aqui, hein. Quem tiver alguma dica ou sugestão, a gente vai adorar receber.